Certa manhã de domingo
Pela cortina distingo
Um casal no meu portão
Ao soar a campainha
Tive certeza que vinha
O assunto religião
Ver de relance já basta
Se cada um porta pasta
Não pode haver melhor pista
O motivo sei qual é
Sem saber da minha fé
Querem vender a revista
O preço a mim não assusta
Mas confesso que me custa
Atender aquela gente
Mesmo assim com muito jeito
Digo que se não aceito
É por ser ímpio somente
Ao mentir, a razão disso
É não querer compromisso
Nem mesmo por um segundo
Já que mal contenho o riso
Se dizem que o paraíso
Será neste pobre mundo
NOTA: Refere-se a certa religião em que seus sectários são convidados ou oferecem-se para fazer o trabalho de campo que consiste em visitas para exposição de credo e, principalmente, vender revistas e livros.